Nos últimos anos, os ataques digitais passaram a mirar menos as brechas técnicas e muito mais o comportamento de quem está do outro lado da tela. Esse é o caso do ClickFix, que usa a engenharia social para transformar um gesto comum — como clicar em um aviso ou seguir uma instrução na tela — no começo de uma infecção.
Esse tipo de abordagem ganhou força a partir de 2024 e vem avançando com rapidez. Em 2025, segundo o relatório da ESET, o golpe registrou crescimento de 500% e já aparece como o segundo ataque mais comum no ambiente digital, atrás apenas do phishing.
Neste conteúdo, você vai entender o que é o ClickFix, como o golpe opera e por que ele representa um alerta relevante para a cibersegurança. Também vamos apresentar os impactos que ele pode causar na segurança da informação de pessoas e negócios. Continue lendo!

O que é o ClickFix?
O ClickFix é uma tática de ataque baseada em engenharia social em que o criminoso cria uma situação com o objetivo de fazer você acreditar que está resolvendo um problema, quando na verdade está abrindo caminho para uma infecção.
O golpe não depende, necessariamente, de uma vulnerabilidade técnica no computador. Ele funciona porque explora a confiança, a pressa e a familiaridade com elementos visuais que já fazem parte da rotina digital, como alertas, CAPTCHAs, mensagens de erro e páginas que imitam marcas conhecidas.
Por isso, esse tipo de ataque revela que a proteção hoje depende tanto de tecnologia quanto de percepção. Quando a fraude se apoia no comportamento humano, entender o contexto e reconhecer abordagens suspeitas passa a ser parte essencial da cibersegurança e da segurança da informação.
Como funciona o golpe ClickFix?
O ClickFix começa quando você chega a uma página maliciosa por meio de um anúncio, e-mail, link ou até de um site legítimo que foi comprometido. Em vez de exibir um arquivo suspeito ou um download direto, essa página mostra um aviso que simula um problema técnico.
A mensagem pode dizer que houve falha ao abrir um documento, erro no navegador, bloqueio de acesso ou necessidade de confirmar que você é humano. A interface costuma copiar elementos visuais já conhecidos, como janelas de erro, CAPTCHAs e alertas de segurança. A intenção é fazer aquela situação parecer parte normal da navegação.
Depois disso, a página apresenta um passo a passo para a suposta correção. Em muitas campanhas, o código malicioso já fica copiado na área de transferência sem que a vítima perceba. Na tela, aparecem instruções para abrir a janela Executar do Windows, o PowerShell ou outro recurso do sistema e colar o conteúdo.
Quando esse comando é executado, o dispositivo começa a baixar ou iniciar o malware. Em vários casos, isso acontece com o apoio de ferramentas nativas do sistema. O ponto mais crítico desse fluxo é que a infecção depende de uma ação guiada, feita pela própria vítima.
Quais são as variantes mais recentes do ClickFix?
O ClickFix vem evoluindo com rapidez e, por isso, pode aparecer de formas diferentes. Embora a lógica do golpe continue baseada na manipulação da vítima, as campanhas mais recentes mostram um nível maior de adaptação, personalização e pressão para levar à execução do comando malicioso.
Entre as variantes mais recentes, vale destacar:
- Falsos CAPTCHAs: páginas que simulam verificações para provar que você é humano e, em vez de pedir uma ação comum, orientam a copiar e colar comandos no sistema;
- Alertas que imitam serviços conhecidos: telas falsas que reproduzem elementos visuais de marcas, navegadores, plataformas de reunião e sistemas de proteção para passar mais credibilidade;
- Mensagens de erro técnico: avisos sobre falha no navegador, problema ao abrir documentos, erro de acesso ou necessidade de corrigir uma configuração para continuar;
- Páginas com detecção do sistema operacional: campanhas que identificam se a vítima usa Windows, macOS ou Linux e exibem instruções específicas para cada ambiente;
- Tutoriais em vídeo: ataques que incluem vídeos curtos ensinando exatamente onde clicar, o que abrir e como executar o comando malicioso;
- Contagem regressiva e senso de urgência: interfaces que exibem cronômetros ou mensagens de pressão para reduzir o tempo de reação da vítima;
- Cópia automática do comando: páginas que enviam o código malicioso direto para a área de transferência, sem deixar isso evidente para o usuário;
- Distribuição por múltiplos canais: campanhas que chegam por phishing, anúncios maliciosos, resultados manipulados de busca e até sites legítimos comprometidos.
Essas variantes mostram que o ClickFix está longe de ser um golpe estático. Ele acompanha o comportamento do usuário, aproveita elementos familiares da navegação e se adapta ao contexto para parecer convincente. É esse refinamento que torna o ataque mais perigoso e reforça a importância de olhar com atenção para qualquer instrução incomum exibida na tela.
Que tipos de malware podem ser instalados com ClickFix?
Depois que o comando malicioso é executado, o ClickFix leva à instalação de diferentes ameaças, conforme a campanha em andamento. O objetivo gira em torno do roubo de dados, do acesso indevido ao dispositivo e do comprometimento do ambiente digital da vítima.
Entre os tipos de malware mais associados a esse golpe, estão:
- Infostealers: roubam senhas, cookies, dados bancários e informações salvas no navegador;
- Trojans de acesso remoto: permitem que o criminoso controle o dispositivo à distância;
- Loaders: preparam o sistema para baixar e executar outras ameaças;
- Rootkits: ajudam a ocultar a atividade maliciosa e manter a persistência no equipamento;
- Ferramentas de acesso remoto abusadas por invasores: podem ser usadas para espionagem, movimentação lateral e acesso a sistemas internos.
Esse tipo de infecção causa impactos como:
- Roubo de credenciais;
- Exposição de dados financeiros;
- Invasão de contas pessoais e corporativas;
- Monitoramento da atividade da vítima;
- Instalação de novas ameaças no dispositivo;
- Acesso indevido a sistemas da empresa;
- Vazamento de informações sensíveis.
Quando o ataque atinge um computador usado no trabalho, o risco aumenta. Uma única execução pode afetar a segurança da informação, a rotina da empresa e, ainda, ampliar o alcance dos ataques digitais dentro do ambiente corporativo.
Por que o ClickFix é considerado um ataque sofisticado?
O ClickFix é considerado um ataque sofisticado porque combina persuasão, contexto e execução técnica em uma mesma ação. Em vez de depender só de um arquivo malicioso ou de uma brecha no sistema, ele cria uma situação convincente para levar a vítima a iniciar a infecção por conta própria.
O golpe reúne elementos que aumentam sua eficácia:
- Uso de engenharia social bem construída: o ataque explora confiança, urgência e familiaridade com alertas, verificações e mensagens que parecem parte normal da navegação;
- Execução manual de comandos: a vítima é induzida a copiar, colar e rodar instruções no próprio sistema, o que dá aparência de ação legítima;
- Aproveitamento de ferramentas nativas: o golpe pode acionar recursos do próprio sistema operacional, como PowerShell e janela Executar, para dificultar a identificação da ameaça;
- Adaptação ao contexto da vítima: campanhas mais recentes ajustam a mensagem, o visual e até o comando conforme o sistema operacional ou o ambiente acessado;
- Capacidade de evasão: como parte da infecção acontece de forma discreta, inclusive na memória, a detecção é mais complexa.
Esse conjunto faz do ClickFix uma ameaça mais refinada do que muitos golpes tradicionais e acende um alerta importante para a cibersegurança.
Quem pode ser afetado por esse tipo de ataque?
Como a fraude explora o comportamento do usuário, ninguém precisa ter perfil técnico para se tornar um alvo.
No entanto, empreendedores, equipes administrativas, profissionais financeiros e colaboradores de empresas estão entre os públicos mais expostos, porque lidam com documentos, plataformas de acesso, e-mails e demandas urgentes ao longo do dia.
O risco cresce quando o dispositivo comprometido dá acesso a contas sensíveis ou ambientes internos da empresa. Uma única execução pode sair do campo individual e gerar impacto operacional, financeiro e reputacional.
Como identificar tentativas e se proteger de ataques ClickFix?
Quando uma página pede que você faça algo incomum para continuar, abrir um arquivo ou corrigir um suposto erro, vale parar por alguns segundos e desconfiar. Em muitos casos, esse pequeno intervalo já evita que a fraude avance.
Alguns sinais merecem atenção imediata:
- Pedido para copiar e colar comandos no Executar, PowerShell ou Terminal;
- Mensagens de erro com senso de urgência para “corrigir” o navegador ou liberar um acesso; CAPTCHAs ou verificações diferentes do padrão, com instruções por teclado;
- Páginas que imitam marcas conhecidas e pedem ações fora do fluxo normal;
- Vídeos ou tutoriais ensinando a executar comandos;
- Contagens regressivas ou alertas que pressionam uma decisão rápida;
- Texto genérico, tradução estranha ou visual inconsistente com o site acessado.
Para reduzir o risco, algumas boas práticas ajudam no dia a dia:
- Treinar usuários para reconhecer prompts suspeitos;
- Evitar executar comandos recebidos por páginas, anúncios ou mensagens;
- Restringir o uso de Run e PowerShell, quando fizer sentido no ambiente corporativo;
- Usar soluções de detecção comportamental e proteção no navegador;
- Manter sistemas, navegadores e ferramentas de segurança atualizados;
- Reforçar a validação de links e páginas antes de qualquer ação.
Também é recomendado adotar uma regra simples: se um site pedir que você abra uma ferramenta do sistema para resolver algo que apareceu no navegador, trate isso como suspeito.
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Quando você entende como golpes como o ClickFix funcionam, fica mais fácil perceber o risco antes que ele vire um problema. É o conhecimento que ajuda a proteger seus dados, sua rotina e também as decisões que você toma no ambiente digital.
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Perguntas frequentes sobre o ataque ClickFix
Como o ClickFix ainda é uma ameaça recente para muita gente, é natural que surjam dúvidas sobre a forma como esse golpe acontece e os riscos que ele traz. A seguir, você confere respostas objetivas para entender melhor o ataque e saber como agir com mais segurança.
O que é o ataque ClickFix?
O ClickFix é uma tática de engenharia social em que o criminoso cria uma situação falsa para fazer a vítima acreditar que precisa corrigir um erro, validar um acesso ou concluir uma verificação. A partir daí, ele induz a execução de um comando malicioso no próprio dispositivo.
Como funciona o golpe ClickFix?
O golpe costuma começar em uma página falsa, anúncio, e-mail ou site comprometido que exibe um alerta aparentemente legítimo. Em seguida, a vítima recebe instruções para copiar, colar e executar um comando, o que pode iniciar a infecção sem que ela perceba.
O ClickFix é um vírus ou uma técnica de ataque?
O ClickFix é uma técnica de ataque. Ele funciona como um método usado para enganar a vítima e entregar diferentes tipos de malware, dependendo da campanha e do objetivo do criminoso.
Que tipo de malware pode ser instalado nesse golpe?
Esse golpe pode instalar infostealers, trojans de acesso remoto, loaders, rootkits e outras ameaças. Os impactos mais comuns envolvem o roubo de senhas, o vazamento de dados, a invasão de contas e o acesso indevido ao dispositivo.
Como saber se executei um comando malicioso?
Alguns sinais podem aparecer depois da execução, como lentidão fora do padrão, abertura de processos incomuns, comportamento estranho no navegador, alertas de segurança ou pedidos inesperados de autenticação.
Mesmo sem sinal aparente, o ideal é tratar a situação como incidente de segurança.
O que fazer se cair em um ataque ClickFix?
Se você suspeitar que executou um comando malicioso, interrompa a conexão com a internet, faça uma varredura com uma solução de segurança confiável e altere suas senhas em um dispositivo seguro.
Em ambiente corporativo, também é importante acionar a equipe responsável o quanto antes para conter o risco e investigar o que foi comprometido.